quarta-feira, 1 de julho de 2026

Eu Chorei Rios Parte I. Rio de Janeiro RJ.

    A exposição: Eu chorei rios: arte dos povos originários da América, sob a curadoria de Paulo Herkenhoff e Glicéria Tupinambá, é a oitava mostra da FGV Arte.




    Inaugurada em setembro de 2023 na sede da Fundação Getúlio Vargas, a área vem se consolidando com exposições, mediações educativas, cursos acadêmicos interdisciplinares, publicações e diálogos com as comunidades interna e externa à instituição.






   Nomeada em homenagem à obra da artista Keyla Sobral, eu chorei rios traz um diálogo com a exposição anterior l, Adiar o fim do mundo, que contou com a curadoria de Herkenhoff e Krenak.






    Ao deslocar o centro da problemática do antroceno para as diferentes cosmovisões indígenas, a mostra ressalta as tensões entre continuidade cultural e transformação.




   Assim, evidência o risco que os saberes originários da América encontram diante da imposição de uma concepção unilateral - com consequências concretas como a invasão territorial, neoextrativismo, o desmantelamento das demarcações e o apagamento das línguas e culturas.






   Dessa forma, a exposição de Herkenhoff e Tupinambá, em gesto literário contrário, é um convite ao respeito multicultural, à imaginação e à valorização das cosmovisões dos povos originários da América.





   Ressalto-se aqui a beleza, potência e complexidade das tradições orais, ancestrais e pré-coloniais, com a devida homenagem aos povos originários que habitam o continente, a riqueza de suas culturas material e imaterial e o seu patrimônio.

   Fonte: Fundação Getúlio Vargas.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Patrícia Secco Parte IV Final. Rio de Janeiro RJ.

    A artista visual Patrícia Secco apresenta Tramas - uma exposição que promove a conscientização ambiental através da beleza e do fazer manual, democratizando o acesso à arte contemporânea e oferecendo ao público do Centro Cultural dos Correios RJ um refúgio de paz e inspiração, essencial para a construção de uma nova consciência coletiva.







   Com curadoria de Carlos Bertão e design expografíco de Alê Teixeira, a mostra é um percurso onde o Brasil, o mito e o sonho se encontram, costuras telas bordadas, máscaras pintadas com temas genuinamente brasileiros, uma instalação têxtil vibrante e esculturas em cerâmica que brotam de um universo onírico próprio: flores imaginárias brancas inspiradas na lenda de Atlântida.







   As telas bordadas funcionam como cartografias sensíveis - linhas que se desdobram em rios, raízes, ventres e caminhos internos. Cada ponto é memória pulsante, gesto que sutura o invisível.







   As máscaras, todas pintadas com temas do Brasil, revelam a multiplicidade de um imaginário que atravessa territórios e espiritualidades: fauna e flora tropicais, festa populares, narrativas afro-indígenas, rituais, proteção e encantamento. São rostos que emergem como guardiões simbólicos.







   A instalação têxtil é um organismo em movimento. Pássaros em tecido e flutuam como fragmentos de sonho, peixes circulam entre camadas; linhas vermelhas costuram o espaço como artérias vivas. O vermelho guia o olhar e simboliza vida, paixão, terra fértil e pulsação - um fio que une céu e mar, voo e profundidade.







   As cerâmicas brancas, por sua vez nascem de um sonho profundo da artista: a visão do fundo do mar indo embora, revelando flores impossíveis, etéreas, que ecoam a mitologia de Atlântida. São flores que não existem na botânica do mundo, mas florescem na memória, na imaginação e na fronteira entre o real e o mítico.

   Fonte: https://dasartes.com.br/agenda/patricia-secco-centro-cultural-correios-rj/