A arte proporciona, por vias diversas, permuta de valores, de argumentos, de ideias, de sonhos, não exclusivamente entre artistas e público, mas também entre os próprios artistas motivando parceiras que se consolidam fortes e saudáveis.
Marilou Winograd e Mario Camargo de longa data constituíram elos de respeito mútuo, conexões solidárias e empáticas, isto é, sem que isso fosse exigência recíproca. Assim é que desde seu primeiro trabalho em conjunto, há cerca de 25 anos, estiveram sempre imersos em projetos curatorais expositivos, individuais ou coletivos, seja no Brasil ou no exterior, incentivados que foram por haver uma espécie de complementação entre suas produções e modos de pensar.
Em Samba da Bênção Vinicius de Moraes, o poetinha (apelido carinhoso dado pelo amigo Tom Jobim), nos diz que "a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida", o que reflete bem a cooperação longeva desses dois artistas.
Esta mostra, creditada a Winograd, em certa medida comemorativa para ambos, oferece também, por extensão, o resultado do período de comprometimento com inúmeros criadores abraçados por empreitadas realizadas pela dupla que agora, culminam com o convite desta àquele amigo em que se representam qual soma final de todos os encontros já empreendidos por ela.
Foram muitos bons momentos compartilhados, e a consequência disso está expressa no que foi idealizado por ela ao mais uma vez se associar a um parceiro de jornada representante de todos que com ele já se uniram em diferentes épocas e ocasiões diferentes.
Nessa particularidade de agregar quem está pelo caminho vemos vínculo de suas criações com as anotações que faz: "juntar fotos de obras minhas em processo de construção, lã de acrílico como matéria do precário, algodão cru embebido em tinta industrial e fio de cobre como elemento condutor".
Fonte: Osvaldo Carvalho Centro Cultural dos Correios RJ.